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sexta-feira, 25 de janeiro de 2008

Ministra Marina Silva anuncia medidas para conter o desmatamento na Amazônia.


A ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, anunciou nesta quinta-feira (24) uma série de medidas para conter o desmatamento na Amazônia, entre elas o embargo de propriedades rurais nos 36 municípios com maior incidência de desmatamento.

Eles estão localizados na Amazônia, no Pará, no Mato Grosso e no Amazonas e são responsáveis por metade do desmatamento na região Amazônica. Segundo Marina Silva, está proibido o desmatamento nestes municípios até que os proprietários rurais façam o recadastramento de suas propriedades.

O governo federal divulgou uma lista dos 36 municípios que terão prioridade nas ações de prevenção e controle do desmatamento, identificados com base em monitoramento por satélite. Nessas cidades, já estão proibidas novas autorizações de derrubadas. Na quarta-feira, o Ministério do Meio Ambiente o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) apresentaram dados que mostram a devastação de 3.235 km² quadrados na região amazônica de agosto a dezembro de 2007.

O Acre está excluído da lista que traça o perfil do desmatamento no país. Na opinião do secretário de Meio Ambiente, Eufran Amaral, isso demonstra o esforço do Governo do Estado no combate ao desmatamento no Acre. A afirmação feita pelo secretário é baseada em números.

Desde agosto de 2007, o Acre conta com uma ferramenta mais eficiente no controle do desmatamento e de queimadas. As imagens são captadas diariamente pelo satélite francês Formosat, que permite maior aproximação das áreas devastadas cobrindo em torno de 4 m² de extensão. As imagens têm resolução que permite visualizar com nitidez até 2 metros de distância da área, quando o satélite do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) aproxima em apenas 30 metros. "Com estas imagens sabemos onde estão os locais de desmatamento, quais os proprietários que estavam licenciados e os que não estavam", explica Eufran Amaral.

Para Marina Silva, combate ao desmatamento exigirá esforço maior em 2008


Aumento da devastação da Amazônica em 2007 é confirmada pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). A ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, preocupa-se com fatores climáticos, políticos e econômicos. Para ela, o governo deve estar atento à estiagem prolongada, aos altos preços internacionais da soja e da carne e as eleições municipais de 2008.


Segundo a ministra, essa combinação tem aumentado a pressão sobre a floresta e exigirá esforço redobrado do governo. “É um teste de fogo. Apostamos em uma ação ainda preventiva para manter a queda do desmatamento em 2008. É possível fortalecer a governança mesmo em condições atípicas”, afirmou hoje (23) a ministra em entrevista coletiva.


Entre medidas preventivas já adotadas pelo governo federal, a ministra citou a criação, em dezembro, do Grupo de Trabalho de Responsabilização Ambiental, órgão interministerial que acompanhará os 150 maiores casos de devastação da floresta, e do Comitê Executivo do Plano de Desenvolvimento Regional Sustentável da BR-163, cujo objetivo é levar políticas de desenvolvimento sustentável, conservação ambiental e inclusão social às comunidades que vivem às margens da rodovia, que liga o Mato Grosso ao Pará.


Na sexta-feira (25), Marina Silva prometeu divulgar uma lista suja, com aproximadamente 30 municípios que mais contribuem para o desmatamento na Amazônia. Nesses locais, as propriedades rurais que fizeram derrubadas ilegais deverão ser embargadas. “Só poderemos verificar se essas medidas serão efetivas ao final de um período maior, mas vamos reforçar as ações para tentar alcançar o objetivo do desmatamento ilegal zero”, disse a ministra.


De acordo com o Inpe, de agosto a dezembro de 2007 foram desmatados 3.235 quilômetros quadrados (que equivalem a cerca de 320 mil campos de futebol) da floresta amazônica, mas o número pode estar subestimado em virtude da ausência de imagens de satélite mais detalhadas. O desmatamento real pode ser de até 7 mil quilômetros quadrados, segundo o secretário executivo do Ministério do Meio Ambiente, José Paulo Capobianco.